ENTREVISTA

Cozinha com energia por Patrícia Maranhão

Nos últimos anos, a cozinheira maranhense carrega uma nova forma de preparar comida e de se alimentar, focando não só em ingredientes que deem sabor, mas principalmente energia

Patrícia Maranhão faz questão de usar produtos orgânicos nas receitas como o rocambole de couve-flor (Foto: Karlos Geromy/ O Imparcial)

Contadora e cozinheira, Patrícia Maranhão, de 47 anos, deixou de lado os números e cálculos para se dedicar ao que realmente lhe dava prazer, a cozinha. Há 20 anos é em São Paulo que a maranhense fixa morada. E é lá, na capital paulista, que ela desenvolve os trabalhos de personal chef, consultora e onde também já atuou como chef em restaurantes.

Ela fez o curso de chef internacional do Senac, mas foi após passar um ano nos Estados Unidos, na Le Condon Bleu, escola especializada nas técnicas francesas clássicas de gastronomia, em 2010, que descobriu a cozinha holística. Modalidade dotada de vegetais, farinhas sem glúten, mais carnes brancas e que de certa forma se torna também funcional e dá mais energia ao corpo.

“Morando nos Estados Unidos, a gente fica muito curiosa. Eu ia a dois supermercados voltados para alimentação saudável e percebi como era maravilhoso. Comecei a estudar e fazer mais cursos, fui aplicando as técnicas da cozinha clássica francesa e adaptando na cozinha holística, que é muito parecida com a funcional, que são maravilhosas e saudáveis”, explica Patrícia.

Muffins de farinha de aveia adoçado com passas de Patrícia Maranhão (Foto: Karlos Geromy/ O Imparcial)

Em São Luís, Patrícia presta consultoria há três meses para a Liquori Caffè Gourmet. Em entrevista, ela contou a sua trajetória até agora, focada na comida de verdade, e disse o que pensa sobre as formas de alimentação atual.

Você disse que sempre foi apaixonada pela cozinha. Como foi entrar nesse mundo da gastronomia já estando em outra profissão?

Eu sou contadora de formação, mas eu nunca fui apaixonada e não tem a ver comigo. Sempre gostei de cozinhar, mas minha família não apoiava. Naquela época, eu ouvia: ‘Imagina minha filha ser cozinheira, chef de cozinha!’. E eu fui estudar, fiz o Chef Internacional do Senac, em São Paulo, de um ano, e fui para os Estados Unidos, fazer um ano de curso na Le Condon Bleu, em Chicago. Hoje, eu trabalho como personal chef, desenvolvendo cardápio para cafés e restaurantes e dando consultorias.

Como você define a cozinha holística?

É uma cozinha igual à funcional, só que é o nome holístico que está chegando no Brasil e é forte, porque a comida holística fornece energia saudável para o organismo, para a máquina que é tão valiosa. Nela, você tem todos os sais minerais e vitaminas como a B1.

O que fez você focar nesse seguimento dentro da gastronomia?

Morando nos EUA, eu ficava muito curiosa, vendo a tendência, e eu ia diariamente ao supermercados. Isso em 2010. E você vê na unha, com o fortalecimento, no cabelo, na pele, eu não passo nada, só protetor solar por causa do sol. Não há nada que você ponha na parte externa do corpo que não adianta, a doença está no intestino. É isso que a holística faz, você trabalha a prevenção de doenças.

Como é elaborar pratos com ingredientes direcionados à holística e funcional?

Não é fácil. Precisa-se de muita técnica e criatividade. No Maranhão, é muito difícil, porque as pessoas ainda não têm a cultura. Na Liquori, a base foi toda mudada e é saudável e sem desperdício. Usamos nas preparações óleo de coco, o fermento de bolo é natural. Para o pão, eu uso o fermento parecido com o químico, mas feito na casa. O maranhense gosta muito de açúcar. Eu comecei a fazer um trabalho com menos açúcar mascavo e demerara, mas eles não adoçam tanto ,e eu tive que aumentar a quantidade, porque as pessoas estavam reclamando. Mas eu tenho bolos na casa feitos com xilitol, açúcar de coco e passas.

Sabemos que São Paulo é um celeiro gastronômico, com inúmeros restaurantes. Mas qual a diferença da cena gastronômica do mercado de São Paulo e São Luís, no que diz respeito à alimentação natural?

São Paulo já está bem na frente, já tem vários restaurantes que trabalham essa tendência e todos estão sempre lotados. Aqui no Maranhão, eu vejo que está engatinhando, as pessoas estão começando a se interessar por uma alimentação mais saudável. Minha dificuldade aqui é de produtos orgânicos. Eu busco sempre trabalhar com 100% orgânicos. Quando não encontro, eu uso um produto que elimina até 90% do veneno das verduras, quando as deixo de molho por um período na solução e depois uso nas receitas.

O que mudou ao adotar esse tipo de alimentação, no trabalho e na vida pessoal?

Hoje, a minha alimentação praticamente é 80% vegetal, desde o café da manhã até a hora do jantar. Há sete anos, não fico doente, pago um plano de saúde que não uso. Minhas duas filhas se alimentam bem e já preparam em casa receitas sem açúcar, por exemplo.
Com a holística, a intenção é que a pessoa descubra o seu corpo e veja o que ela pode ou não comer, tendo um feed back do organismo. Não adianta a pessoa fazer atividade física, se ela não tiver uma dieta que garanta resultados no corpo. A alimentação representa 80%.

 

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