DIA DA CACHAÇA

Saiba avaliar uma boa cachaça de alambique

Delfino Golfeto, o Embaixador da Cachaça no Brasil, alerta: nem toda marca que faz um bom marketing é uma cachaça artesanal, de alambique

Delfino Golfeto preside a rede Água Doce – Sabores do Brasil

A cachaça é o verdadeiro destilado nacional. Hoje, dia 13 de setembro, é comemorado o Dia da Cachaça e Delfino Golfeto, considerado o Embaixador da Cachaça no Brasil, defende a cachaça artesanal, de alambique, como um produto nobre, que deve ser apreciado como uma bebida especial. “Foi-se o tempo em que as pessoas tomavam a ‘pinguinha’ no boteco e eram discriminadas. Primeiro, porque pinga e cachaça são muito diferentes. Pinga é um produto sintético, cheio de produtos químicos e vendido comercialmente, em larga escala. Já a cachaça é produzida a partir da fermentação da cana de açúcar, em tonéis de madeira, naturalmente. Esse nobre produto, de alambique, é artesanal e, como já citei, natural. Não tem qualquer adição química e seu sabor é completamente diferente. É esse o nobre produto nacional, que deve ser apreciado e valorizado”, diz ele.

Confira as dicas de como avaliar uma boa cachaça:

  • Quando se toma uma cachaça, é preciso observar a ‘agressividade’, a acidez, o sabor alcoólico inicial e residual. A doçura também deve ser observada: é positiva se ela for resultante dos compostos doces do próprio produto e do método de armazenamento (quando também recebe açúcares provenientes da madeira na qual a cachaça é armazenada). É negativa quando é resultante da adição de sacarose. Muitas vezes, o açúcar mascara sabores ruins;
  • Uma boa cachaça é límpida, transparente e sem resíduos. O degustador também avalia a aparência da bebida e não só o seu sabor. Em seguida, ele a cheira: o aroma deve ser agradável e dar vontade de continuar cheirando além de despertar a vontade de saboreá-la;
  •  A boa cachaça deixa no copo uma oleosidade que escorre lentamente. É por isso que o cálice deve ser liso, transparente e de boca larga. A bebida queima agradavelmente na boca, “descendo bem suave”;
  • O degustador de cachaça, quando a coloca em contato com a língua por alguns segundos, sabe definir o paladar: adocicado, ácido, amargo ou salgado.
  • No processo de degustação de várias cachaças de gradação alcoólica diferentes é importante tomar água mineral gasosa e comer pedaços de pão puro.
  • Para degustar uma dose, o ‘cachaçólogo’ demora de 15 a 20 minutos. Um coquetel e uma batida requerem de 20 a 30 minutos.
  • Uma boa cachaça, geralmente, tem aroma suave. Alguns degustadores costumam agitar a garrafa para verificar a quantidade de bolhas que se formam. Quanto maior o número de bolhas, melhor a qualidade da bebida.
  • A busca pela qualidade começa no preparo do solo. O processo requer a escolha correta do terreno, um bom preparo do solo e a seleção criteriosa da variedade da cana. O plantio precisa ocorrer na época correta, assim como a colheita. A moagem, extração da sacarose, fermentação e destilação são igualmente importantes.
  • A cachaça de qualidade precisa ficar armazenada por, no mínimo, dois anos numa boa madeira. Se ficar acima de oito anos, vira produto nobre e ganha status.

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