FORÇA E ENERGIA

Conhaque é uma das bebidas mais apreciadas por brincantes de boi

O destilado é consumido antes e depois das varias apresentações que acontecem as vezes em um único dia

Antônio de Jesus Figueiredo, membro do Bumba Meu Boi Unidos de Santa Fé (Foto: Karlos Geromy/ O Imparcial)

Antônio de Jesus Figueiredo, de 57 anos, é membro do Bumba Meu Boi Unidos de Santa Fé, que tem sotaque da baixada. Já são 29 de brincadeira no grupo, em que ele faz questão de participar de todas as apresentações na função de boieiro de chapéu e, além de ser membro da diretoria, já chegou a fazer cerca três a quatro apresentações por noite, 40 por mês.

Para aguentar as noites de apresentação, além de amor à brincadeira e entusiasmo pelo trabalho realizado, Antônio afirma que tem a ajudinha do conhaque, que, segundo ele, ajuda a dar mais empolgação. “A cerveja, principalmente ela gelada, faz mal para a garganta e prejudica a voz, já o conhaque não prejudica tanto. Quando a gente está desanimado, principalmente quando chega no local da apresentação e não tem quase ninguém, é só tomar uma dose e aí vem a empolgação”.

Mercedes Pinheiro brinca bumba meu boi há cinco anos (Foto: Karlos Geromy/ O Imparcial)

Mercedes Pinheiro brinca bumba meu boi há cinco anos. Ela faz o papel de cazumbá e afirma que, para dançar no meio da multidão que assiste às apresentações, é necessário uma dose da aguardente, para se manter animada. Porém, acrescenta que nunca ficou embriagada.

“Eu comecei a brincar porque sempre gostei do bumba meu boi. Nas apresentações, eu tomo uma dose de conhaque, a pesar de não gostar muito. No restante da noite, eu passo para o vinho. O cazumbá, que é meu papel no boi, sua muito, por isso, não fico embriagada e bebo para ficar mais alegre para dançar bem no meio do povo”, acrescenta Mercedes.

Mesmo ajudando no desenvolvimento do trabalho dos membros de bumba meu boi, existem regras para se consumir a bebida durante as apresentações. No Boi União de Santa Fé, com aproximadamente 160 integrantes, por exemplo, são distribuídos três litros de conhaque: um para os cazumbás, outro para os boieiros de chapéu e o último para os músicos. A bebida tem hora certa para ser consumida e não são aceitos excessos.

José Figueiredo (Foto: Karlos Geromy/ O Imparcial)

“A maioria gosta da bebida, e a gente não deixa faltar, mas só é permitido beber uma dose antes de cada apresentação e uma dose depois. Nunca permitimos que eles bebam durante as apresentações, porque não é legal a gente estar brincando e trabalhando ao mesmo tempo e estar bêbados na frente das pessoas, desarrumado”, pontua José de Jesus Figueiredo, o Zé Olhinho, um dos fundadores do Boi de Santa Fé.

O conhaque

Popularmente, esta aguardente está na lista de bebidas chamadas de “quente”, por muitos consumidores, mas, mesmo popular, essa não é a forma adequada de chamá-la ou classificá-la. “Podemos chamar de bebida quente um chá, por exemplo. Nesse caso, o que existe são as bebidas destiladas, fermentadas e feitas sob fusão. O conhaque é destilado”, pontua especialista em cachaça e instrutor do curso de garçom do Senac, Luís Eduardo Cardoso Monteiro.

 

A bebida, bastante apreciada pelos brincantes dos grupos de bumba meu boi, surgiu da destilação do vinho com graduação alcoólica elevada, que pode chegar a 55%. De acordo com o especialista em bebidas Marcelo Almeida, que atualmente é sommelier do restaurante Casa 7, o conhaque tem origem na França, onde recebe o nome de cognaq, por causa da região que dá nome à bebida. Uma aguardente de uva, sendo um destilado do vinho de baixa qualidade, com processo de produção que ocorre nos alambiques de cobre. Conhaque é a tradução da palavra para o português. Aqui a bebida é feita a partir da frutose. Ele explica ainda o porquê de nesses eventos a cerveja ficar de lado e não ser a predileta dos brincantes.

“Acredito que a escolha pelo conhaque se dê pelo preço acessível no Brasil, por ser fácil de ingerir, não tendo a preocupação de gelar, ou carregar caixas térmicas, e até pela cultura dos rincões do país, onde, na nossa cultura, há tempos atrás, significava virilidade beber o conhaque, por ser uma bebida de alto teor alcoólico, bebida de macho. A cerveja é diurética, a pessoa acabado indo mais ao banheiro. Acredito que isso atrapalharia bastante as apresentações. Mas, sem dúvida alguma, ela relaxa mais, provoca sonolência, mas é relativo, de pessoa para pessoa”.

Marcelo Almeida, especialista em bebidas (Foto: Karlos Geromy/ O Imparcial)

Orientações sobre o conhaque, segundo Marcelo Almeida

•Um bom conhaque é límpido no olhar, perfumado no aroma, e macio no paladar, não apresentando excesso de acidez. Existem grandes fabricantes da bebida no mundo como a Casa Renesy, Pedro Domeq, Luiz XV.
•Conhaque jovem – até três anos de guarda harmoniza bem com foie gras (fígado gordo de Ganso).
•Com até cinco anos – pode ser acompanhado com carne vermelha e molhos rústicos.
•Com mais de cinco anos, recomenda-se acompanhar com chocolate meio amargo.
•A bebida também é muito apreciada após as refeições e pode ser acompanhada de charutos.

 

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