CAMARÃO

Franquias precisaram alterar cardápios para driblar a crise

Chamada de mancha branca, a doença impede que os camarões se desenvolvam e faz os animais morrerem antes de chegarem à fase adulta

O consumidor mais atento percebeu que o camarão já não está mais tão em alta nos cardápios dos restaurantes maranhenses. Desde o segundo semestre do ano passado, uma doença tem atingido os criadouros do crustáceo brasileiros e afetado o comércio no Maranhão: quando não é pelo aumento do preço dos pratos, é pela retirada completa das refeições que levem o camarão como ingrediente.

Chamada de mancha branca, a doença impede que os camarões se desenvolvam e faz os animais morrerem antes de chegarem à fase adulta. O vírus é inofensivo ao ser humano.
Por causa da doença, 30 mil toneladas de camarão já foram perdidas em seis meses no Ceará, por exemplo, o que equivale a 60% da produção do período naquele estado. Isso ocorreu porque a mancha branca se manifesta na fase inicial de desenvolvimento do camarão, calcificando e mudando a cor do crustáceo. Ele morre e contamina os outros, por isso, produções inteiras são perdidas antes de chegar ao consumidor.

A doença não chegou a atingir os viveiros maranhenses, mas foi encontrada em criações em Santa Catarina, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe, Paraíba e Piauí. Para solucionar o problema, muitos criadores precisaram investir em estufas para servirem como berçário desde os primeiros dias de vida do animal até a fase adulta, quando ele engorda e fica pronto para o consumo.

Foto: Vivenda

Adaptando ao menu

Em São Luís, restaurantes estão tendo que adaptar os cardápios. Pratos e preços foram alterados para driblar a situação. O restaurante Coco Bambu em São Luís, por exemplo, teve que alterar o valor de pratos que levam um tipo específico de camarão.

“Por causa dessa doença, que não deixa o camarão crescer, o preço do quilo ficou muito caro. Nós tínhamos pratos com o camarão de 18 gramas e, depois que parte da produção foi afetada por esse problema, o preço duplicou. Foi de R$ 45 para R$ 90 o quilo. A gente não deixou de comprar o camarão de 18 gramas, mas o preço dos pratos precisou aumentar”, explica Sílvio Sampaio, diretor financeiro do Coco Bambu.

A franquia Vivenda do Camarão, como o nome já diz, é especializada em pratos com o camarão que é o ingrediente principais da maioria das receitas, teve que tirar alguns pratos do menu com o camarão graúdo.

“Os preços dos pratos que têm camarão não precisaram aumentar, mas a franquia tirou do cardápio as receitas que levavam o camarão maior, que é o de 18 gramas e ficou apenas com os camarões menores. Tiramos as receitas de camarão frito e grelhado, o resto do cardápio continua normal”, explica Selma Cardoso, funcionária da marca.
A crise, além das alterações já descritas, também estimulou a criatividade e a utilização de outros tipos e tamanhos do crustáceo. “O Coco Bambu criou uma nova linha de pratos em homenagem às praias de Recife, com receitas que usam o camarão de 13 gramas”, acrescenta Sampaio.

 

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