CASEIRA

Produção de cervejas artesanais e um mercado cheio de possibilidades

As cervejas artesanais têm conquistado o mercado e estimulado apreciadores a produzir a bebida

As cervejas especiais têm ganhado espaço amplo no Brasil. Em São Luís não é diferente. Esse nicho está em expansão e dá um fôlego para o mercado, como comprova a pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistas (IBGE) no mês de outubro de 2016, que revela que a cerveja e o chope estão entre os dez produtos de maior valor de vendas da indústria no Brasil.

No Maranhão, por enquanto, há apenas uma fábrica de cerveja 100% artesanal, a Cervejaria Dona, inaugurada no mês de dezembro, mas há muitos fabricantes caseiros de cervejas especiais.

A base de todos os tipos de cervejas é água, malte, lúpulo e levedura, porém, existe uma gama de variações que podem definir os estilos. A produção caseira pode ser feita por qualquer pessoa, desde que tenha os equipamentos e insumos necessários e cuidados para não haver contaminação da bebida, que não pode ter nada de origem animal. A partir do mês de fevereiro, cursos e festivais devem ser realizados para movimentar o setor e difundir a cultura cervejeira.

Mestre cervejeiro há sete anos, Bruno Lucas já passou por várias fábricas e se dedicou à consultoria. Hoje trabalha em São Luís e ajuda na instalação de uma cervejaria da cidade. Ele repassa algumas orientações para quem não conhece e quer começar a degustar.

“O mercado tem muitas tendências. Mas, para a pessoa que nunca bebeu cerveja artesanal, é aconselhado começar tomando uma Pilsen, que é a mais parecida com as cervejas comerciais, depois ela pode evoluir para uma Weiss, que é uma cerveja de trigo, mais turva com um sabor diferente e de fácil acesso, ou uma Witbier, que já tem condimentos e especiarias, como coentro, camomila e limão siciliano. A IPA é a que está mais em alta no mercado e tem um sabor mais amargo. Mas tudo varia de acordo com o paladar de cada um”.

A maioria são apreciadores que gostam tanto da cerveja artesanal que se arriscam e hoje fazem a própria bebida para consumo entre familiares e amigos.

Adaptando o espaço

O programador Rudolfo Schepp começou a produzir as cervejas artesanais há pouco mais de um ano no apartamento onde mora, após participar de um evento e conhecer mais o assunto. Apesar de não ser uma tarefa fácil, o programador inicialmente produziu 40 litros, que foram aprovados pelos amigos. Hoje já fabrica 180L e quem conhece faz fila para tomar a bebida. “A primeira cerveja foi feita sem muito controle e ficou uma delícia, os meus amigos gostaram e elogiaram muito. O fermentador, que era de 20 litros, já ficou pequeno. Logo comprei mais um e a produção de 40 litros também não era mais suficiente, levando em consideração que você leva em média sete horas pra cozinhar o grão pra fazer o mosto e resfriar, depois colocar no fermentador por cerca de 30 dias em média para maturar, após é engarrafar e esperar mais uma semana pra cerveja carbonatar. Aí o próximo equipamento eu mesmo fiz, hoje posso colocar 60 litros em cada geladeira que tenho e esperar 30 dias pra ficar pronta”, explica.
Rudolfo já produziu cerveja tipo witbier com coentro, raspas de limão e gengibre, imperial IPA, lager com lemondrop, entre outras. No futuro, ele pretende homologar a marca Cervejaria Artesanal Schepps e comercializar em grande escala.

“A ideia é fazer cervejas complexas, de vários tipos, cheiros e sabores. A cada lote diferente, os clientes receberão uma experiência única. O único limite na produção artesanal é a sua criatividade” pontua Schepp.

Em família

Os churrascos na casa da família do perito criminal Marcelo Ribeiro ficaram mais agradáveis após ele começar a produzir a própria cerveja em 2016, e aí surgiu a DNA Beer. Mas o gosto e preparação para a produção surgiu bem antes. “Por volta de 2012, começamos a cogitar produzirmos nossa própria cerveja. Em 2013, eu vi na internet o anúncio de um curso on-line de mestre cervejeiro e assisti. Ano passado, fiz um curso teórico-prático de produção artesanal de cerveja e depois a escolha dos materiais para começar a produção. Em uma das reuniões de família, juntei alguns tios e primos também interessados no projeto e cotizamos a compra dos materiais para a produção caseira de 20 litros para consumo próprio”, acrescenta Marcelo.

As produções são sempre com estilos variados, a preferência de Marcelo são as IPAs, mais amargas, porém, para agradar a todos, ele fabrica cervejas com amargor mais leve tipo Weiss, Kolsch e APA. O que impede uma ampla produção em muitos casos é a obtenção de materiais que precisam ser comprados fora do estado. “Um fator que me limita a produção de outros estilos é a falta de uma loja para comprar os insumos que vêm às vezes de fornecedores ou na internet, porém, o custo é muito elevado por conta do frete”, pontua.

Por novos sabores

Foi para ampliar as opções que Emanuell Martins, Henrique Guelber, Hugo Assunção e outros dois amigos que já não fazem parte da sociedade criaram a marca Cerveja Alphorria em 2015. O nome faz jus à necessidade de se “libertar” do mercado convencional e estilo Pilsen e criar possibilidades e novos sabores de cervejas. Há quase dois anos do surgimento da cervejaria, os sócios conseguem produzir entre 60 a 90 litros por brasagem – processo de misturar o malte e a água, sob a ação do calor – com envase de garrafas ou barris e fabricam cervejas nos estilos APA, American Blond, Weiss, English IPA, Stout, Witbier, Kölsch e American Wheat.

“A paixão por cervejas artesanais só aumentou e buscamos sempre nos aprimorar no processo produtivo por meio de cursos, livros e discussões com outros cervejeiros da ilha, pois a cada dia surge um novo interessado em produzir a sua própria cerveja. Experimentar cerveja artesanal é um caminho sem volta!”, pontua Hugo Assunção, sócio da marca.

Mercado

Mestre cervejeiro, Bruno Lucas (Karlos Geromy/ O Imparcial)

A maioria das cervejarias artesanais surge a partir de iniciativas pessoais como a de Rudolfo e Marcelo. Em São Luís, existem muitas pessoas que produzem em casa cervejas especiais e pretendem no futuro comercializar a produção.

O mercado nos últimos anos tem ficado cada vez mais robusto para esse tipo de produto e promete ser ainda mais promissor nos próximos anos. De acordo com a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal, no Brasil, há em média 400 microcervejarias.

“Cerca de 70% a 80% dos donos das microcervejarias que   conheço eram cervejeiros caseiros. Há três anos, o mercado ampliou e o número de cervejarias duplicou no país. E está crescendo muito, ainda mais que as microcervejarias serão incluídas no projeto Simples Nacional, com uma redução na taxação de impostos”, esclarece o mestre cervejeiro Bruno Lucas.

Caseiras e maranhenses

Cervejaria Alphorria 2015 – até hoje

(Karlos Geromy/ O Imparcial)

Sócios da marca Emanuell Martins, Henrique Guelber e Hugo Assunção criaram a Cerveja Alphorria em 2015 com o intuito de criar possibilidades e novos sabores de cervejas e se libertar das opções convencionais do mercado.

Cerveja Artesanal Schepps

(Karlos Geromy/ O Imparcial)

Criada pelo programador Rudolfo Schepp em 2015, a cervejaria caseira tem como especialidade bebidas complexas de vários estilos. Rudolfo pretende no futuro homologá-la para a comercialização em grande escala.

DNA Beer 2016 – até hoje

(Karlos Geromy/ O Imparcial)

A produção artesanal começou em 2016, após o perito criminal Marcelo Ribeiro pesquisar e estudar a produção artesanal de cervejas. As produções são sempre com estilos variados, mas o foco de Marcelo são as mais amargas como a IPA.

Cervejaria Löuis 2009 – até hoje

(Karlos Geromy/ O Imparcial)

A Cervejaria Löuis é uma das primeiras marcas de cervejas artesanais da cidade e recebeu o nome por remeter à capital São Luís e também ao Louis Pasteur, cientista francês que descobriu o funcionamento da levedura em processo de fermentação. Em 2009, o arquiteto Renato Teixeira, criador da cervejaria, começou a produzir estimulado pela vontade de ter acesso a novos sabores de cervejas. Em 2016, ele chegou a produzir 20 receitas diferentes de cervejas artesanais em diferentes estilos, como Witbier, um estilo belga que leva trigo condimentado com hortelã, capim-limão, semente de coentro e pimenta-rosa, boa para iniciantes.

Troyana Cervejaria – 2013 – até hoje

A Troyana é uma microcervejaria que surgiu em 2013, ideia do empresário Carlos Silva, e que está em processo de expansão e legalização da fábrica junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa.

Com a instalação da fábrica, a produção de 600 litros deve passar para 2 mil litros por mês. A produção vai girar em torno de estilos mais encorpados, prediletos de quem já conhece bem as nuances das cervejas artesanais.

Para o consumo entre amigos, a cervejaria produz seis subestilos de cerveja tipo IPA, especialidade da marca que tem nos aromas característica principal.

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