CULTURA

Maranhenses precisam conhecer para valorizar gastronomia local, aponta estudo

Grupo de estudos identifica que pratos maranhenses ainda são pouco presentes nos restaurantes de São Luís

Quais os restaurantes que você conhece que vendem comida tipicamente maranhense? Ou que agrega de alguma forma um item da gastronomia local no cardápio, transformando o tradicional em algo novo e fazendo valer a máxima da cozinha contemporânea?

Não é muito fácil fazer a seleção, pois, quer seja para inovar ou para atender ao desejo dos clientes, muitos restaurantes escolhem oferecer pratos distantes da cultura maranhense. Isso ocorre em parte pelo preconceito com os produtos locais e pelo desinteresse cultural, como explica Linda Rodrigues, coordenadora do Grupo de Estudo e Pesquisa em Identidades Culturais da Gastronomia Maranhense formado por professoras e alunas de Hotelaria e Turismo da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

“Entendemos que precisamos de políticas públicas, incentivo e investimento na área de alimentos e bebidas. Pois, quando a comida local é degustada, ela recebe muitos elogios e adeptos fiéis”, diz Linda, que acrescenta ainda: “A máxima da preservação é o conhecimento, eu só preservo o que eu me identifico e isso faz com que sua permanência se estenda ao longo das nossas vidas e a cultura vai transmitindo de geração a geração”.

Grupo de Estudo e Pesquisa em Identidades Culturais da Gastronomia Maranhense (Karlos Geromy/ O Imparcial)

Identidade gastronômica
Além de conhecer, é necessário ter a percepção que, de acordo com as pesquisadoras, pode estar em atitudes simples como utilizar os ingredientes naturalmente maranhenses e manter os nomes de pratos, como a juçara ao invés de açaí e jerimum ao invés de abóbora, ajudando a sustentar a identidade local, o que não quer dizer que a comida não é apreciada. “Acho que a comida é valorizada sim, embora alguns comerciantes insistam em não ofertá-la e, quando o fazem, têm como retorno uma boa aceitação de seu consumidor”, pontua Ana Letícia Burite, mestre em cultura e sociedade.

Incentivos públicos podem ajudar a mudar essa realidade através de uma divulgação maior da gastronomia local e a percepção da relação estreita entre as receitas de pratos maranhenses e os costumes alimentares que têm influência direta do ecossistema em que os produtores e a comunidade estão inseridos, e esse talvez seja o início da formação dessa identidade tão rica e diversificada, como explica Marilene Sabino, mestre em sustentabilidade e ecossistemas. “Os hábitos alimentares têm tudo a ver com o ecossistema onde o homem está inserido, um exemplo é o ecossistema de litoral, como é o nosso caso, a gente vê uma extrema relação com a gastronomia baseada em peixes e mariscos. Quando a gente vai para o interior do estado, observamos outros hábitos, como o consumo frequente de peixe da água doce, farinha d’água, além de outras relações como o pato ou a galinha ao molho pardo, por exemplo. O nosso grupo analisa todas essas relações para que possamos abrir mais os olhos para essa importante questão”.

“Quando falamos em valorizar, não quer dizer que a pessoa vá se fechar para a cultura de fora, ela pode comer um hot-dog, um fast-food, mas a pessoa sempre vai ter aquela comida como referência, comida da avó, aquela coisa cultural, e o maranhense tem muito disso, ele come qualquer comida estrangeira, mas sempre valoriza o que é da terra dele”, finaliza Ana Burite.


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